Congresso Democrático das Alternativas
Há dias vi na televisão ou ouvi na rádio que diversas pessoas (algumas bem conhecidas pelas suas
intervenções políticas) estavam a
organizar um congresso para debater os problemas inerentes e decorrentes
da dívida externa portuguesa. Bem, até aí nada demais, pois Portugal em toda a
sua existência como país, só por períodos muito curtos e excecionais, não andou
enredado em dívidas. O próprio fundador da nacionalidade, D. Afonso Henriques,
comprometeu-se a pagar ao Papa duas
onças de ouro anuais, pelos seus bons ofícios junto de outros príncipes da
cristandade para que reconhecessem Portugal como um reino independente e a ele
próprio como rei. Reza a história que D. Afonso Henriques nunca resgatou a sua dívida.
Pois bem, quase mil anos depois, Portugal
volta à condição de devedor. Há todavia
uma diferença abissal entre a situação de 1152 e a de 2012.Nesse então longínquo
1152 o fundador da nacionalidade reconheceu a divida , mas nunca teve a
intenção de pagá-la. O novo reino tinha outras prioridades. Os
"reizotes" que agora nos governam, porque são bastardos sem qualquer
linhagem, querem obrigar os cidadãos deste mesmo país a pagar uma dívida que
não contraíram, a assumir responsabilidades pelos atos dolosos cometidos,
perpetrados por essa mesma bastardia , mais ainda, escancararam as portas do
país, empurrando para fora dele a inteligência,
a juventude, a força do trabalho e a cultura.
Devia, porém, ficar claro desde já, que a atual situação
política , social , económica e cultural de Portugal não aconteceu por geração espontânea.
O mundo seja físico, social, económico ou
cultural e político é o resultado de causas e efeitos, de contradições que
conduzem a outras contradições, de sínteses e novas sínteses. O mundo é mudança.
Depois do 25 de Abril há um momento em que o país parece querer avançar para um
novo cenário. É o PREC (Processo Revolucionário em Curso).O governo de então
liderado pelo general Vasco Gonçalves,
elogiado há dias pelo presidente da Autarquia de Castelo Branco(PSD),
nacionalizou a banca, a grande indústria, as empresas de energia e
combustíveis, a terra , o latifúndio. Com as nacionalizações chegaram as
reformas sociais e o povo, até então humilhado por uma pressão multissecular
saiu à rua e deu largas à sua criatividade. Mas a reação contra o PREC não se fez esperar e foi chegando de todos os lados, até de onde
menos se esperava. Começou então a contagem regressiva para o 25 de Novembro,
quando o país quase regressou ao 24 de Abril, já agora diga-se, sem contornos
fascistas evidentes e sem colónias.
Após o 25 de Novembro restaurou-se o poder antigo e mantiveram-se
até alguns que propositadamente não
foram tocados. Os banqueiros, os capitães da indústria, os latifundiários e
outros mais que também faziam parte do aparelho político e económico do antigo
regime foram regressando sistematicamente, com eficiência cirúrgica e eficácia.
Todas "as portas que Abril abriu" foram sendo fechadas. Agora já
restam poucas, mas o propósito de fechá-las é evidente.
Como surge esta divida abissal em que o país está afundado? Quem
a contraiu? Para onde foi todo esse dinheiro de que se fala e para onde irá
aquele que afirmam os cipaios de plantão , que ainda é preciso pedir?
É para responder a todas essas perguntas e a outras que esse
Congresso deve reunir-se. Como este é um
tema extremamente importante e abrangente e pode ser visto de variados perspectivas,
continuarei a escrever sobre ele. Já é tempo de que quem tem de dar respostas
as dê.


