Já, por mais de uma vez, o desejo de ter o dom da ubiquidade me assaltou. Hoje é apenas mais um desses dias. É que eu bem queria estar, aí, na Casa do Brasil, comemorando o seu vigésimo aniversário, e aqui, onde me encontro, na Sociedade Portuguesa de Autores, na homenagem que aqui se presta ao Duda Guennes, também ele sócio da primeira hora da CBL. Aliás, o Duda não foi um sócio qualquer. Como membro activo dessa Casa, o Duda embrenhava-se em todas as sua lutas e actividades, estava sempre na primeira linha de todas as suas iniciativas. Essa, era, verdadeiramente, a sua casa. Espero que hoje, lhe guardem uma cadeira, na fila da frente, no centro, como se ele estivesse aí para assistir a uma Final da Copa do Mundo de futebol.
Também por mim, aqui e agora, quero reafirmar que a casa do Brasil de Lisboa é a minha casa. E esse sentido de pertença jamais alguém mo poderá tirar. Nem sequer, eu mesmo, a ele poderei renunciar porque ninguém pode negar ou apagar uma parte da sua vida.
Quero dizer-vos ainda, que apesar das minhas andanças por outras militâncias, em qualquer lugar do mundo onde eu me encontre, e eu continuo andarilho, a primeira coisa que se me oferece dizer, quando alguém me pergunta o que faço, é repetir que sou membro da casa do Brasil e, se necessário, membro fundador. Quero também comunicar-vos que já tomei a decisão de estar mais presente, a partir de agora, nas coisas que se passam nessa minha Casa.
Das razões que levaram à fundação da Casa do Brasil, da sua luta pela sobrevivência, do combate diário pelos direitos dos emigrantes brasileiros e lusófonos, direitos esses que nem os países de origem pareciam estar interessados em reconhecer e apoiar, da construção de pontes culturais permanentes entre as várias comunidades, do esforço para trazer não só lusófonos para apoiar as nossas causas, de tudo isso e do muito que aqui não se enumerou, alguém vos há-de falar.
Durante estes 20 anos, muitas pessoas , todas importantes, passaram pela CBL, deixaram a sua colaboração e marcaram a sua presença. Mas há uma que mais do que qualquer outra marcou a vida desta Casa porque a reconheceu como um pedaço do Brasil. Refiro-me ao embaixador José Aparecido de Oliveira que se abriu e abriu esta casa à diplomacia brasileira e sempre contou com ela em todas as ocasiões em que foi necessário travar combates pelo Brasil. Foi ele quem disse que a Casa do Brasil, nos momentos em que aqui foi preciso lutar, foi o "braço armado" da Embaixada e da causa dos emigrantes.
Finalmente, quero fazer um apelo a todos os que por aqui passaram, que com esta casa colaboraram, e por variados motivos dela se foram afastando, que regressem porque a sua presença é tão necessária hoje como foi ontem. A CBL terá de continuar a ser o lugar onde todos os brasileiros, que aqui residem ou por aqui passam, poderão encontrar acolhida. Mais ainda. Hoje , a necessidade da construção do mundo lusófono é um dado adquirido e aceite por todos. A Casa do Brasil de Lisboa tem de constituir-se no verdadeiro centro da construção da lusofonia em Portugal
A todos aqueles que mantiveram e mantêm alta a bandeira da Casa do Brasil de Lisboa, sem nenhuma excepção, um grande e fraternal abraço e um até já.

