Há uns dias, no aniversário de uma pessoa muito querida, meninos e adultos fartaram-se de falar das personagens desses contos de fadas, que os nórdicos nos vêm impingindo há uma série de anos. Falou-se do lobo mau, do capuchinho vermelho, da avozinha não sei quantos, e até da bruxa feia , má e nariguda.
Confesso que senti saudades dos meus tempos de criança, quando na quinta do meu avô paterno, à noite, na lareira, o tio Cinzento, o tio Baptista, o tio Sernande e o meu avô contavam histórias fantásticas do Mau Soldado, do Judeu Errante, do Frade Peregrino, da Sopa de Pedra, da Raposa e do Grou, das batidas aos lobos, e até dos "milagres" da Bruxa de Quiraz. Aquilo é que eram histórias e todas verdadeiras, pois tanto o tio Baptista, como o meu avô e os outros tinham tomado parte nelas, ou como testemunhas ou como actores.
Agora não. As histórias que se contam aos meninos são todas de faz de conta. Tal qual o palavreado dos políticos. E é assim que eles nos enganam ou tentam enganar. Sempre sem credibilidade, pois a história é interpretada de acordo com as personagens. Interesses e humores, o que é muito, muito grave, pois os interesses são conhecidos, mas os humores, esses nem Freud nos pode ajudar a defini-los.
Há muitos políticos, jornalistas, professores, comunicólogos e outros que se sentem bem assim, assimilados por uma cultura estranha e estúpida. Muitos mais do que seria legitimo pensar. Pois que se fiquem com ela, com essa cultura bárbara e rendam embevecidos todas as homenagens à sra. chancelarina Merkel e ao seu escudeiro de serviço, sr.Sarkozy. Eu aqui só posso falar por mim, continuarei fiel à cultura mediterrânica, a única que vingou e floresceu na Europa. Daquele mundo que os romanos e gregos denominaram de barbárie só quero distância. Muita distância.
Amo as histórias do Mau Soldado, da Bruxa de Quiraz, encantam-me as proezas dos contrabandistas, das batidas aos lobos, das raposas matreiras, das caçadas aos javalis. Ponho o pecado e a virtude em pé de igualdade, porque ambos são humanos. Gosto de navegar para o Sul, porque é abaixo do Equador que reside a alegria. Gosto deste mundo mediterrânico. Foi aqui, que um deus desconhecido acasalou o sol, o vinho e o amor para que se pudesse ser feliz. Um deus desconhecido que nada tem a ver com o deus desses luteranos e calvinistas que queimam com fogo e fósforo Sodoma e Gomorra e Faluja , no Iraque. Teremos de já hoje, agora, se quisermos sobreviver como civilização, de dizer a eles e aos seus bajuladores que nos esqueçam, que não insistam em domesticar-nos. Os WASP (brancos, anglo-saxões de protestantes) já causaram tantos danos à humanidade e ao Universo que já é tempo de saírem de cena no Grande Teatro do Mundo.
